Quando se é criança, você pensa que sua vida quando for “grande” vai ser linda. Em algum momento você vai casar, ter filhos e viver feliz para sempre. Bem, eu nunca gostei desse estratagema disneyano do amor e da vida, portanto não foi uma surpresa quando tudo saiu diferente dos filmes e das histórias
Entretanto, em nenhum momento eu imaginei que seria assim. Tão difícil.
Eu tenho uma vida boa, mas sou uma pessoa pouco receptiva ao carma, como diria o Dalai-Lama. Sou uma pessoa suplantada pelas dúvidas, pela descrença, pelas respostas fundamentais. Tipo um 42, para o qual você nunca sabe qual é a pergunta. Tenho as respostas de que preciso, mas estou fazendo todas as perguntas erradas, sabe?
E já que nada sai como eu planejo, eu decidi que não vou viver de expectativas… às vezes a vontade é parar de me importar… mas se eu fizer isso, o que será de quem precisa realmente de mim? Por que alguém nesse mundo, em algum momento, vai precisar que eu tenha essa tal síndrome de herói. E é aí que tudo vai valer à pena, finalmente.
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PS: Ei, você já ouviu Look What You’ve Done, do Jet?
Hoje eu li sobre sentimentos. Os mais variados – ciúmes, amor, medo, vergonha, ódio. Então resolvi falar sobre algo que não falo com frequência: os meus próprios.
Por que quando me ligam, ou me mandam um SMS, ou quando eu sento com um amigo na cantina da universidade para tomar um café (antes da greve, é claro), de tempos em tempos eles me contam. Seus amores, dissabores, seus medos, suas angústias. Eu, como sempre, escuto. É um prazer ouvir. Mas então vem a pergunta que eu tanto temo: mas e você, como vai esse coração? Eu não tenho resposta para isso.
Não tem pergunta que me irrite mais. Meu coração? Não vai nada, ele é um músculo. Ele bate. Às vezes – de raiva mastigada e engolida – quase pára, mas só isso. Eu acharia menos clichê alguém me perguntar: e aí, como vai essa mente? Minha mente? Ela mente.
Não, vamos voltar ao ponto. Aquele não é o ponto. Como eu sei que as pessoas que ririam de mim por dizer isto nem sabem que esse blog existe, eu vou revelar o que a minha cabeça vive me dizendo. É um paradoxo que está me deixando louca.
- Primeiro o meu lado racional entra em cena. Ele diz: “Amar é um erro! Quantas vezes preciso te dizer isto?! Veja só o que aconteceu com você todas as vezes que você se deixou gostar de alguém… Ou você virou a inimiga, ou você virou a amiga, ou você virou ninguém. Sinceramente, não tem nada pior que virar ninguém. Pensando bem, talvez ser a amiga seja pior… Ou talvez ser a inimiga… Bah! Talvez errado mesmo seja amar! Pronto, não vamos amar mais!”
- Segundo, meu lado mais humano (e cada vez mais fraco) rebate, entre espasmos de dor: “Mas se você se recusar a gostar das pessoas, se você se recusar a aceitar o amor de alguém, no que você vai se tornar? E sair magoando as pessoas e se magoando no processo, não é saída nenhuma. Pelo contrário, é prisão! Vai ter uma hora que relacionamentos vagos e voláteis não vão ser o bastante… vai ter uma hora que mesmo as suas amizades não vão mais te preencher!”
O lado mais fraco é o que tem razão. Não preenche mais. Se eu quisesse eu transaria todo dia. Com mulher, com homem, com viado, com sapatão, com traveco e o caralho a quatro…
Se eu quisesse eu iria em festa de república todo fim de semana só para caçar. Então eu beberia até cair, acordaria com alguém diferente depois de cada festa sem lembrar de nada do que aconteceu. Se eu quisesse, seria que nem umas pessoas que eu conheço: ficaria semi-morta de tanto beber num rock e depois sairia falando pra todo mundo “Sabe fulano? Já peguei. Sabe beltrano? Pois é, também já peguei”! Ou ficaria zonza, daria pra um cara qualquer e deixaria ele espalhar pra todo mundo que já me comeu…
Se eu quisesse… Mas eu não quero. Em primeiro lugar, porque gente bêbada é tudo, menos seletiva. Em segundo lugar porque amar alguém, estar com alguém que a gente ame, faz falta. Mas existe aquele demoniozinho na minha cabeça: E quando acabar? Por que vai acabar… O que cê vai fazer? Pra onde você vai correr?
Na boa, sinceramente. Eu posso dizer com propriedade que já sofrir POR AMOR. Não tô falando dessas coisas que as pessoas julgam ser amor mas que na verdade é loucura. Eu já sofri por amor mesmo. Sei o quanto dói. Sei que demora para passar (anos-séculos-nunca) . Sei que na real, ninguém te ajuda de verdade a superar.. Sei que é preciso muita força de vontade. Sei que ouvir certas músicas, fazer certas coisas e ir a certos lugares também não ajuda. Sei que nunca… nunca vai realmente embora. Sei que uma hora se transforma numa indiferença que te faz sentir estranha… Por que sempre vai ser um pouco estranho não sentir nada.
E eu não quero ter que passar por isso de novo. Eu me recuso a colocar o pescoço na gilhotina de tão boa vontade. Mas ao mesmo tempo, eu desejo desesperadamente que alguém me faça sentir alguma coisa além desse vazio que se instalou quando eu, abre aspas, deixei de amar, fecha aspas. Ou talvez eu precise de um coração novo, pois este já não bate e nem apanha.
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PS: uma vez, quando estava partindo, escrevi em um papel “if you find yourself amongst the lonely ones, i’ll be waiting you with open arms”
E recebi como resposta: “Oh, and my heart needs to cry and cry now”. Deve ser isso que eu estou procurando e não acho.
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Eu apóio a greve dos professores das universidades federais
If I talk real slowly
if i try real hard
To make my point dear,
that you have my heart
Here i go…
I’ll tell you what you already know.
If you love me with all of your heart
if you love me, i’ll make you a star, in my universe…
You’ll never have to go to work
you’ll spend everyday, shining your light my way
- Angus and Julia Stone
Filed under: Depressão Atômica!
- É disso que eu tenho medo – me disse querendo parecer mais forte do que realmente é – do que acontece quando a pessoa vai embora. Por que é sempre assim comigo: no fim das contas, eu fico sozinho. Todo mundo vai embora, ou eu vou embora… e acabo sozinho.
Assenti. É assim comigo. Mas precisa ser diferente…
- Então vamos fazer um trato, eu e você. Eu não vou te esquecer, desde que você não me esqueça. Não importa o que façamos, não importa para onde vamos. Aí nenhum de nós dois vai ficar mais sozinho. Tudo bem?
- Tudo ótimo!
Seja como for, há um momento em que você cresce. E as coisas que antes te incomodavam não mais te ferem. Tornam-se banais.
Chega o tempo em que é difícil algo te surpreender. Acho que é a hora em que você finalmente percebe que o tempo passou e que suas antigas filosofias não se encaixam mais. Talvez por que você mudou de lugar, mudou de amigos, mudou de roupa. Quase mudou de vida, mas ainda há algo que te liga ao passado… algo ou alguém… ou mesmo muitos “alguém”. Mas ainda não é o suficiente para que você se reconheça.
Sim, você mudou. Está melhor, mais confiante, menos propícia a cair em certas armadilhas do coração e do cérebro. A página virou, o que era te cansou e agora não é mais…
Pouca coisa prevalece quando a gente cresce e admitir isso é difícil. Por que era mais fácil quando se podia dizer que se era tola, ou inocente ou um pouco dos dois. Era mais fácil quando você podia se justificar chorando, gritando… O mundo te ensina que gritando não se consegue nada e chorando muito menos. Crescer significa ser forte. Andar com as próprias pernas e tomar as próprias decisões, amargas ou não.
E, bem, você está diante de oportunidades diferentes, de pessoas diferentes… Não é mais tão seguro se aproximar de alguém ou deixar alguém se aproximar quanto quando você sabia onde pisava, mas tenta se ligar às pessoas mesmo assim. De vez em quando te liga um amigo antigo, ou um dos seus pais, preocupados se você já comeu, se tem dormido bem… ou aparece um sms de alguém por quem você nutra carinho… E isto é um sinal de que você pode voltar se tudo der errado.
Porém você sabe… Sabe que cresceu e que, quando se cresce, ou se deixa para trás, ou é melhor nem começar.
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Minha ausência se deve às horas de tutoria, ao fato de dividir a internet com mais 2 por que o lindo do meu note começou a queimar os modens da Vivo e de que eu não tenho muito a dizer.. ando fria e distante e tenho o mínimo de esperança que isso passe. Eu necessito de um pouco de calor humano… de verdade!
Filed under: cão da depressão
Chega um momento em que a gente entende que não tem jeito.
Um dia eu vou embora, morar numa praia deserta e vou passar o dia inteiro pelada, deitada numa rede, lendo e ouvindo o som do mar, longe de toda a civilização. Um dia… um dia!
Filed under: sketches
Quero conhecer você de verdade. Longe das aparências, longe do que todo mundo acha que sabe…
Quero sair de noite com você, numa praia. Areia fria, mar morno. Quero olhar teus olhos, a lua pálida refletindo na areia, como num filme, e dizer que você é a pessoa mais linda que eu já vi.
Eu até dançaria….
Quero sair para tomar açaí com você, num dia nublado, em que não tem quase ninguém na orla. E depois sair correndo na chuva, rezando para não acabar.
Não, por favor, não acabe! Só dessa vez…
Queria deitar você no meu peito, vendo um filme qualquer na televisão. E enquanto você dorme, afagar seus cabelos e deixar os dedos deslizarem entre os fios. Você sonhando… parece que é um pesadelo… Mas eu te abraço forte até você se acalmar. Está tudo bem… tá tudo bem… Se não está, então eu faço ficar.
E você não precisaria ter medo, não. Por que eu sou do tipo que não pede nada em troca… Você só tira e tira, até me esgotar, e então alguém leva você de mim. Ou então eu vou embora mesmo, que é para salvar um pouco de dignidade. Não tem mais praia, não tem mais lua, não tem mais filme na televisão. Eu fico só.
Mas você voltaria. Voltaria porque eles te magoam e eu te curo, sempre. Você voltaria porque eu te completo de alguma forma estranha.
E sabe, eu não ligaria de ser sempre assim. Unilateral. Acho que eu nasci para ser apenas sua amiga. Pois se não há alguém para te segurar quando você cai, então nada na vida vale à pena.
Mas eu pergunto… Ah, meu bem, eu tenho que perguntar… E eu? Quem salva… eu?
PS: escrito a milhares de anos atrás, hoje nem sei para quem eu dedicaria… afinal, sou muito inconstante.
PPS: o título é por causa daquele filme “Once”.
Filed under: Depressão Atômica!
Hoje eu fui apanhada por uma versão mais nova de mim. Sabe, exatamente na mesma idade que eu tinha, exatamente na mesma situação. Exatamente do mesmo jeito… me deu uma vontade de perguntar “Por quê, Deus?!”. Mas eu decidi não perguntar por que não ia adiantar. Ia ficar sem resposta, afinal.
Não é tão difícil de entender: você ama alguém que não te ama, se desespera à toa, faz tudo por alguém que, sério, não está minimamente interessado se você vive ou morre. E depois, num dia de uma impressionante clarividência inesperada, você olha para o céu e decide que se ama mais. Então você se consome num mar de dor e amor próprio. Amor próprio este que dói como um soco nos rins.
Por muito tempo o amor próprio te consome e você vira uma espécie de iceberg. Não, não tão frio. Escondido. Mais da metade de você é mortal e está submerso. Você não pretende ser quem afunda. Não mais… E não é!
Mas isso também dói. E eu vi a mini-me dizer para mim que desistiu, como eu desisti um dia. Foi como um déjà-vu sinistro e triste.
Sem mais, por hoje.







